Final de tarde em Agosto
sexta-feira, 7 de novembro de 2008
quinta-feira, 6 de novembro de 2008
Modulo 2 - O Contexto Actual da Formação Profissional
Aproveitando o módulo anterior a este falarei de uma formação "on job training" realizada na BA 4 em 2002/3.
Todos os controladores aéreos colocados na ETA da BA 4 iniciam a necessária qualificação para o desempenho das suas funções, no meu caso comecei pela torre de controle após a parte teórica inicial.
A qualificação é um processo normal e comum às ETA’s de todas as Bases, a particularidade das Lajes assenta no trabalho lado a lado com outra realidade militar e organizacional.
Mostrando um funcionamento em pleno da formação em contexto de trabalho em que em vez de vadios
formadores para varias disciplinas temos vários formadores para uma só disciplina permitindo que para o mesmo modulo e fim possamos conviver com vária formas de o fazer, com abordagens diferentes para realizar a mesma tarefa e acima de tudo podemos beber em várias fontes defeitos e virtudes que permitem e facilitam a compreensão e identificação dos nossos próprios defeitos e virtudes.
Somando a esta pluralidade de formadores, temos o contacto com outra realidade, podendo receber formação de elementos de outra força aérea, oriundos de outra escola de formação e de outra realidade social com atitudes e formas de estar muito diferente daquela em que estamos inseridos na nossa organização.
Associado ao “on job training” foi ainda possível fazer uma formação paralela em cultura Americana, com particular destaque para almoços e pequeno almoços, qual feira gastronómica internacional tal a diversidade de origens dos militares americanos.
Fazendo jus à tradição da capacidade de formação da nossa organização e encontrando em cada militar um formador, que mesmo sem curso de formadores, alguns sem experiência de formação levam a cabo um plano de formação devidamente documentado e bem “oleado”, contribuindo para a formação de dezenas de militares portugueses e americanos em cada ano de trabalho.
Modulo 2 - O Contexto Actual da Formação Profissional
Do seu ponto de vista fará ou não sentido este sistemas de procedimentos para a tornar a formação mais eficiente?
Ao longo da minha experiência de formação penso ter aplicado no todo ou em parte os procedimentos enunciados por Gagne, mesmo sem ter consciência de o fazer por os desconhecer.
Ultimamente estando ligado a uma área onde a FAP não tem e não da formação, o meu trabalho tem passado pela transmissão de conhecimentos na sua forma mais ancestral – a palavra.
Através da experiência acumulada e do saber adquirido vou formando na minha área, todos os militares independentemente do posto, que são colocados nesta área, e se para o quem está no QP já sabe ao que vem, para o pessoal contratado é mais complicado.
Senão vejamos, formar um militar que se oferece para uma dada especialidade e que depois de acabar a sua formação é colocado num local de trabalho cuja missão (à excepção do ser militar) nada tem a ver com a sua formação, e que ao longo da sua carreira dificilmente terá contacto com ela e muito menos com as oportunidades dos seus colegas de curso, é um ponto de partida extremamente difícil.
Pior só a passagem pela Ota quando dei aulas ao ultimo curso de praças controladores e em simultâneo ao primeiro curso de praças que não iriam controlar. Em que alguns deles só deram por isso quando começaram a ser gozados pelos outros e que a uma das turmas dava 7 (sim sete!!!!!!) horas da mesma disciplina num só dia (e uma vez por semana).
Voltando a Gagne:
Atenção – dando hoje em dia uma formação “OJB” é muito fácil criar a chamada de atenção seja pelo erro cometido seja pelo bom desempenho.
Do mesmo modo na formação inicial procuro captar a atenção do formado através de paralelismos com assuntos do seu interesse ou levando-o a dirigir o pensamento, dando-lhe a iniciativa e responsabilidade do momento.
Objectivos – são sempre apresentados ou relembrados de forma a que cada um saiba onde está e para onde é desejável que o seu percurso o leve.
Recordação – Tento sempre levar o formando relembrar as sessões anteriores ou quando erra e sendo uma formação em contexto de trabalho por vezes erra ao fazer o seu trabalho pedindo-lhe prazer o mesmo de outra a forma ou fazendo um exercício pratica de forma correcta levando-o depois a pensar e a descobrir por ele qual a mais correcta, no fim relembro o porque de ser a mais correcta e onde falamos sobre esse assunto.
Informação – no inicio de cada sessão transmito toda a informação relevante para o trabalho a ser executado na mesma, se possível com analogias que lhes chama a atenção.
Guiar a Aprendizagem – é facultada uma serie de exercícios em regime de trabalho onde são guiados e corrigidos os problemas detectados, sempre que possível e como objecto de motivação em virtude de estarem a trabalhar fora da sua especialidade são utilizadas profissões da área civil da sociedade e locais onde podem aplicar os conhecimentos adquiridos como comparação. Procurando deste modo a conjugação com o passo seguinte.
Aliciar à Prática – Utilizado em conjunto com o passo anterior dando também exemplos de camaradas que ali passaram e foram bem sucedidos na vida civil com o que por ali aprenderam.
Feed-Back – é feito em grupo e individualmente sempre de forma a corrigir os erros apontando não só a forma ensinada mas também o contributo e sugestões apresentadas durante o trabalho por todos os intervenientes, levando as sugestões a debate do grupo podem preceder os pose contras das suas sugestões e a sua adequabilidade ao serviço. Todas as boas sugestões desde que possíveis de levar à pratica são aproveitadas de forma a estimular e a motivar os intervenientes
Avaliação – é utilizado o método de reconhecimento e e de recompensa pelo desempenho e motivação na execução da missão do serviço, servindo sempre de exemplo aos demais, mas sem utilizar uma conotação negativa com os restantes.
Aumentar a Retenção e a Transferência – é feito através de formação e treino nas áreas onde são reveladas mais dificuldades, seja pela repetição das mesmas seja pelo acompanhamento mais personalizado e explicativo de um formador.
Como já foi dito noutros trabalhos nem sempre é possível seguir todos os passos e por vezes conjugamos uns quantos numa só fase ou omitimos outras.